Amor Inteiro

 Não faz mal, de vez em quando, darmos um salto ao passado e dizer-lhe um olá, afinal de contas faz parte de nós e da nossa história. Em toda a minha vida lutei pelo encontro do equilíbrio entre os extremos que normalmente tenho tendência a viver, onde toda a profundidade, seja delicada ou caótica, faz parte de quem eu sou. Hoje, sinto que realmente é possível existir ambiguidade com profundidade, sem que isso carregue uma conotação negativa. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Posso ser profunda sem me perder na lama. Posso ser leve dentro da minha profundidade, sem que isso me engula ou arraste o outro. Amor profundo é bonito, amor que se encontra é uma dádiva. Mas antes disso, eu tenho que ser um amor inteiro. Só assim consigo estar com outro amor que também se sustenta por si só, completo na sua essência. Somos dois pedaços inteiros que escolhem unir-se, não por necessidade mas por escolha. Caminhamos juntos, construímos uma vida em comum, mas sem perdermos a nossa individualidade. Complementamo-nos, ligamo-nos de forma saudável. Não precisamos um do outro para viver, pois é da nossa vontade, todos os dias, caminhar lado a lado nesta jornada da vida.

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