Jornada das Almas Separadamente Juntas
Por castelos andantes e montes abrantes, o cavaleiro que nunca teve a oportunidade de ficar com a sua donzela ainda carrega, até hoje, as memórias de uma vida marcada pela ausência. Uma filha deixada ao abandono, triste por não ter vivido o que se espera de uma família: felicidade, empatia, partilha de dores e, acima de tudo, presença. Há ligações que percorrem rios, atravessam montanhas, caminhos onde cada ser vivo cede a passagem para que estas duas almas finalmente se encontrem, o encontro tão aguardado pela mãe natureza. No entanto, o que veio com tanta facilidade desfez-se com a mesma rapidez. Queremos saber daquilo que nos pertence. Mas será justo depositarmos expectativas no outro e exigir que ele seja algo para nós? Por que precisamos tanto que o outro esteja presente para nós, se muitas vezes nós próprios não estamos presentes para os outros? Talvez devêssemos apenas procurar aquilo que somos, aquilo que se encontra no espectro do nosso controlo. Devemos, sobretudo, confiar.
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