Seguir em Frente
Parece quase impossível colocarmo-nos numa posição de estar tudo bem porque isto é o certo a fazer, relativamente ao colocar um ponto final e deixar ir. Pergunto-me se o modo como nos sentimos maior parte das vezes, isto é, num estado de melancolia, é um modo de resistir? Não nos sentimos raivosos, apenas estamos a viver o sentimento de um modo natural, como é suposto aceitarmos aquilo que sentimos sem nos sentirmos culpados ou com vergonha. Devemos viver o processo de aceitar a realidade como ela é, bem, a nova realidade de facto. Há várias realidades a acontecerem no momento, e a de que julgamos sentir mais dor é a que sentimos nesta dimensão, a dor no peito por desapegar das expectativas, das histórias ilusórias criadas, da tentativa de reconforto de memórias e sentimentos incendiários, por memórias boas que houveram, para afogar toda aquela combustão que derreteu quase o nosso coração por completo. Passamos anos a narrar histórias contra nós mesmos, preferimos viver sobre uma dependência, valorização e validação do outro. Acreditamos falsamente que algum dia isso nos safe de nos rasgarmos continuamente. Isto tudo porque escolhemos viver à mercê daquilo que o outro vai ou deixa de achar quanto a gestos e palavras nossas, mas sobretudo porque optamos por não nos priorizarmos e vermos aquilo que merecemos verdadeiramente, pode não ser culpa direta do outro, mas ele mostrou-nos as nossas feridas, aquilo que temos que trabalhar para nos curarmos, e temos de ser gratos por isto, mas não ignorar a mágoa que nos causou e deixou em nós, aceitarmos esta realidade ao invés de por vezes o querermos desculpar. Merecemos mais respeito, merecemos acima de tudo dar mais amor e ter mais compaixão por nós mesmos. Com isto, é necessário haver o perdão por nos termos submetido a tanto sofrimento, por termos deixado alongar a situação durante tanto tempo. Temos que fazer verdadeiramente diferente e apagar-nos completamente das situações, seja fisicamente, energeticamente ou materialmente, sermos mais fortes do que a pessoa que eramos há um ano ou até mais, desamarrar-nos das amarras que colocamos entre nós e a situação específica ou pessoa, em prol de uma mudança ou renascimento de ambos.
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