Melancolia Esperançosa

 Há uma espécie de bolha que anda em frente continuamente, sem virar para o lado direito, esquerdo ou até mesmo voltar para trás. Esta bolha passa por outras igaus a ela, cumprimenta-as com um ar de melancolia mas rodeada com simplicidade ao mesmo tempo, desejando ser reconhecido e amado pelo seu trabalho, pela sua presença, pela sua garra e pela força que detém dentro dele. No entanto, à conta do seu estado melancólico, há algo que o prende e cativa mais do que aquilo que ele queria que cativasse, pois ele sente-se puxado para o mundo das sombras, para a penumbra. Ele sente-se como se fosse um espírito encosto que se alimenta das energias mais densas dos outros, e portanto, procurava mais e mais inevitavelmente, acreditando que este seria o seu percurso para toda a vida, estar submetido às baixas frequências e ter que conviver com a amargura que o deteriorava dia após dia. No entanto, o que ele ainda não tinha tido a consciência, era de que, a sua melancolia também trazia uma luz com ele, com pouco brilho, contudo simplesmente por existir, já valia uma possível mudança da direção do seu destino, se ele assim a escolhesse. Até que um dia encontrara uma bolha semelhante à sua, assim que se cruzaram, houve um clique muito mais forte do que o próprio desalento, e na verdade, eles complementavam-se, a luz da outra bolhinha escondera uma alegria e uma vitalidade imersa nas profundezas sombrias do seu ser. A figura princial apercebeu-se então de que não era o único, ganhou esperança e consequentemente adquiriu um novo lar em si, aflorou-lhe um coração, disposto a poder encontrar mais bolhas assim como ele era, e por conseguinte, a ajudá-las e a mostrar-lhes que não estavam sozinhas naquela estrada que parecia agoniante pelo deserto que era.

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