Expectativas

 São vários os caminhos que vão dar ao destino e à missão principal paara certos momentos da nossa vida. Há várias hipóteses, há várias vertentes e condicionantes a ter em conta, há vários fatores que influenciam, mas também há toda uma panóplia de oportunidades. Queixamo-nos por termos uma ou duas opções, mas quando temos cinco ao nosso dispôr também ficamos descontentes e aborrecidos. Afinal o que queremos nós? A indecisão é tanta porque se calhar queremos que corresponda ao ideal da sociedade e não queremos ser colocados de parte? Ou então esta hesitação perdura visto que não permitimos olhar para dentro e ouvir-nos verdadeiramente? Necessário perceber para que direção o coração é mais puxado, mas também entender o que é melhor para nós tendo em conta a situação em que nos encontramos, com a emoção e a razão a serem equilibradas. Também podemos ter em conta o facto de que podemos escolher as duas opções, em construir uma equidade e um determinado foco, saber analisar e delinear o que é melhor para nós. No entanto, ter tantos quadros para escolher, faz com que criemos expectativas sobre eles, na medida em que julgamos o seu sabor conforme o entendimento e o aspeto que detém, o que já foi provado pela nossa própria experiência que aquilo que pode trazer dor ou sair da nossa zona de conforto, é o que nos traz também evolução, mas igualmente alegria, porque a dor gera alegria. Porém, a alegria também pode gerar dor quando ultrapassado o seu limite de ser e abusarmos ao levarmos um extremo de prazer, simplesmente não é viável e caíremos numa espiral sem fim. Mais uma vez, desagarrar-nos daquilo que pode ser e concentrarmo-nos naquilo que nos é mostrado no aqui e no agora, é a solução para o desapego das expectativas. Só se desilude quem se ilude. A ilusão por norma é muito matreira, uma inimiga se nós deixarmos que ela se aproxime muito. Sinto que há fases da nossa vida que sim, que precisamos de passar por essas utopias para podermos aprender com as situações, de modo a não cometermos o mesmo erro, sabermos que foi necessário e perdoar-nos por qualquer mágoa que ainda sopra no silêncio da noite escura da alma.

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