𝙸̷𝚗̷𝚏̷𝚘̷𝚛̷𝚝̷ú𝚗̷𝚒̷𝚘̷𝚜̷ 𝚍̷𝚘̷ 𝚑̷𝚘̷𝚛̷𝚒̷𝚣̷𝚘̷𝚗̷𝚝̷𝚎̷
No meio de tantos infortúnios o navio continua intacto, com ele as sereias vagueiam e embelezam o coração e os desejos sombrios dos navegantes, entusiasmados pelo fogo vibrante que lhes percorre pela espinha acima, sedentos do glamour que estas musas produzem com tanto fervor e completude, é irradiada uma paz nos seus corações, hipnotizante como um frenesim que lhes atiça as almas. Os marinheiros arrependem-se em parte de seguir os seus instintos, por vezes até se descontrolam, desmaiam, bebem até os seus olhos se fecharem e sentirem a sua cabeça no outro lado do horizonte. A areia cristalizada acorda-os, e os caranguejos dão-lhes picadas para não se afogarem na mágoa que os corrói a cada dia que passa. A jornada torna-se cada vez mais dura, confusa e sem rumo, é tanto o arrependimento e tanta a frustração que os seus olhos já não deitam lágrimas, tornam-se unicamente brancos por estarem a ofuscar a verdade.
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