𝒰𝓂𝒶 𝒹𝒶𝓈 𝓂𝒶𝓇𝒸𝒶𝓈 𝓂𝒶𝒾𝓈 𝓅𝓇ℴ𝒻𝓊𝓃𝒹𝒶𝓈 𝒹𝒶 𝒞𝒶𝓂ℴ𝓂𝒾𝓁𝒶
Ao Cravo mais bonito do meu jardim, aqui estou eu a cantar novamente para o meu porto seguro, este que roubou o meu coração e o amoleceu. Pelo que parece, o feitiço virou em parte contra o feiticeiro, que por si só moveu-o, e provocou uma ternura explosiva no coração da sua princesa. Raios passaram sobre a chama quando as duas almas se cruzaram, pelo que a aumentou e consequentemente produziu na camomila uma córnea cada vez mais meiga e querida, sempre que sonhava e tocava no Cravo. Tudo a seu tempo e quando tivesse que acontecer, pois ambos estavam a experienciar marés que nunca sentiram antes e esse facto tornou ainda mais especial a ligação, que apesar de ter cintilado como um cometa a entrar na atmosfera com mais ou menos força, em mim sentia que foi traçado pelo Universo na sua forma mais esbelta e única, sendo mesmo assim que tinha que se sobressair todo o brilho rutilante deste tesouro. Contudo, à conta dessa precipitação, o Cravo receava que isso se tornasse de algum modo um fardo, pois para um cravo tão delicado, este precisava de ser muito bem cuidado e de receber a segurança, atenção, carinho, e liberdade no seu modo mais ritmado, com respeito e confiança bem assente. A Camomila já confessou que quando sentiu algo tão bonito como aquilo, era difícil querer dar ao mesmo tempo atenção às orquídeas, pois este Cravo exerceu uma certa delicadeza nela, que acabou por mexer com o seu sistema e fez salientar, tanto como despertar, o melhor na Camomila. Tinha sido muita a emoção naqueles tempos, uma montanha russa com sensações boas e menos boas, mas que só tornou ainda mais forte o que havia entre os dois romancistas. Desse processo, apenas valia a pena desfrutar sem muitos receios, e no que dependesse da princesa, ela faria de tudo o que estivesse ao seu alcance para não retirar nenhum pedaço ao Cravo. Recordações nesta princesa ficaram do momento em que se encontrou com o seu feitiçeiro, com uma alma tão pura e uma personalidade diferenciada, distinta das que alguma vez tinha conhecido. De início, a Camomila pouco se soltou, mas o Cravo com o seu jeito rasgadinho mas suave, conseguiu fazê-la abrir-se e expressar-se melhor, e no exato momento em que poesiou estes trechos, ao descrever a sensação sedosa e lenta despoletada pelo beijo do cravo, sentiu o seu aroma, algo que por incrível que pareça, percecionou muitas vezes durante o ciclo, e que na altura a fez simplesmente desejar com todas as suas forças, beijar aquele pescoço doce, delicado e quentinho. Mundo à parte desfocado, retrato ficou gravado, sorriso tão bem esculpido, e com uma formosura a percorrer pelo seu corpo esbelto em todos os momentos, e principalmente quando provocava a sua princesa numa arte tão bela como ele bem o sabia fazer. Beijos macios, cabeças encostadas, corpos ligados com as mãos coladas por um fio que as conectava ao olhar, à mente, aos batimentos cardíacos e ao espírito deles os dois, um fascínio de sentimentos inexplicáveis, à flor da pele. Perguntava-me quando tinha sido a última vez que sentira algo tão profundo e puro como o sentido por este feitiçeiro, algo que não queria perder e muito menos perder a ele, inclusive querer caminhar com ele lado a lado, pois deixou uma marca na sua princesa em todos os sentidos. Escrevi - so please don´t let me down - mal sabia eu que seria a ponte e apenas o início do tanto que poderia vir a sentir, viver e partilhar neste caminho que é a minha jornada. Queria-te meu cravo, para ti que eras o feitiçeiro mais especial da minha vida, continuas a ter essa conotoção mas de um modo menos intenso e mais amigável, continuas a ter uma importância acrescida na minha vida, que ainda se diferencia de certo modo. Ocupaste e continuas a ocupar um lugar bem guardado em mim, que aliás ficará em mim em todas as reencarnações, que nos voltemos a cruzar. Afinal de contas, também não me arrependo de todas as rosas e picos que houveram no nosso percurso.
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